sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A tragédia (módulo 1)

Entre nós a palavra "tragédia” é utilizada para designar um acontecimento doloroso, catastrófico ou para descrever algo extraordinariamente negativo.
Para os gregos significava outra coisa:
tragédia definia, acima de tudo, uma forma artística, ou algo que somente ocorria entre os grandes, os nobres, os heróis ou os deuses.

No campo das artes, tal como nas reuniões sociais, no atletismo e em outras atividades culturais, os gregos adoravam competir.

Gostavam de competições nos festivais que ocorriam durante as celebrações das Grandes Dionísias que tinham lugar no início Primavera, em honra de Dioniso.

Nesse festival os tragediógrafos concorriam a um prémio, com uma tetralogia composta por três tragédias e uma peça satírica cada.

Gostavam de louvar e premiar os vencedores. Criavam um júri composto por 10 juízes, um de cada tribo da Ática, que juravam dar um veredicto imparcial.

O vencedor era anunciado pelo arauto e homenageado com uma coroa de louros. Por vezes os espectadores protestavam violentamente contra um prémio impopular.

Depois de Téspis a tragédia grega evoluiu rapidamente. A criação da tragédia grega deveu-se grandemente a 3 autores dos quais chegou até nós apenas uma pequena amostra do seu trabalho: aproximadamente 30 peças de um conjunto de 300.

A literatura grega reúne três grandes autores de tragédias, cujos trabalhos atravessaram os séculos e são, ainda hoje, frequentemente levados a cena em todo o mundo ocidental:
Ésquilo, Sófocles e Eurípides.

Ésquilo é reconhecido frequentemente como o “pai” da tragédia.
De acordo com Aristóteles, Ésquilo aumentou o número de personagens usadas nas peças de modo a permitir a criação de conflitos entre elas (aumentou para 2 o número de atores).
Aumentando o número de atores, Ésquilo reduziu a atuação do coro e deu à parte falada (o diálogo) o papel principal da peça.
Ésquilo combateu os persas nas batalhas de Maratona e de Salamina.
Apenas sete de um total estimado de setenta a noventa peças criadas pelo autor chegaram aos dias de hoje sendo Os Persas a mais antiga que conhecemos.
Um tema será importante em grande parte dos seus textos: o da pólis como exemplo vital para o desenvolvimento da civilização humana.

As peças de Sófocles retratam frequentemente personagens nobres e da realeza.
Sófocles terá escrito 123 peças teatrais durante sua vida, mas apenas sete chegaram completas aos dias de hoje.
Ao longo de quase 50 anos, Sófocles foi o mais celebrado dos dramaturgos nos concursos dramáticos da cidade-estado de Atenas.
Sófocles competiu em cerca de 30 Dionisíacas, venceu 24 e nunca terá ficado abaixo do segundo lugar; em comparação, Ésquilo venceu 14 concursos e foi derrotado por Sófocles várias vezes, enquanto Eurípides ganhou apenas quatro competições.
Nas suas tragédias, mostra dois tipos de desafios à ordem do cosmo: o que decorre do excesso de paixão e o que é consequência de um acontecimento acidental (destino).
Transformou o papel do coro, tornando-o parte integrante do enredo.
Elevou o número de atores de dois para três.

As peças de Eurípides não são acerca dos deuses ou da realeza, mas sobre pessoas reais. Colocou em cena camponeses ao lado de príncipes e deu igual peso aos seus sentimentos.
Mostrou a realidade da guerra, criticou a religião, falou dos excluídos da sociedade: as mulheres, os escravos e os velhos.
Em termos dramatúrgicos Eurípedes adicionou o Prólogo à peça, no qual “situa a cena” (apresenta o que se vai passar).
Ao longo da sua vida, Eurípides foi considerado quase um marginal e foi frequentemente satirizado nas comédias de Aristófanes.
Eurípides foi autor do  qual chegaram até nós um maior número de peças trágicas: dezoito no total.

A tragédia clássica deveria cumprir, segundo Aristóteles, três condições: possuir personagens de elevada condição (heróis, reis, deuses), ser contada numa linguagem esmerada e digna e ter um final triste.








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