quarta-feira, 29 de março de 2017

A Cultura do Espaço Virtual (3) Globalização

O termo Globalização, tal como o aplicamos hoje, começou por designar a organização de estratégias de produção e de consumo à escala mundial, estabelecidas pelas grandes potências económicas.
O conceito tem vindo a alargar-se a outras áreas (ambientais, ecológicas, sociais, culturais…). Globalização passou a designar o estreitamento das relações internacionais à escala mundial.

O fenómeno da globalização está ligado ao ritmo do desenvolvimento dos meios de transporte e de comunicação.

Muitos historiadores afirmam que este processo teve início nos séculos XV e XVI com as Grandes Navegações e Descobertas Marítimas. Neste contexto histórico, o homem europeu entrou em contacto com povos de outros continentes, estabelecendo relações comerciais e culturais.

Porém, a globalização desenvolveu-se de forma espantosa no final do século XX, logo após a queda da União Soviética e do bloco comunista que marcou o fim da Guerra Fria. A expansão das rotas de aviação comercial conheceu um desenvolvimento absolutamente espantoso.
Sem a oposição do bloco comunista, o neoliberalismo impulsionou o processo de globalização económica. O Espaço Virtual é a ferramenta fundamental para o sucesso desta revolução.

A primeira revolução industrial começou no século XVIII. Resultou do desenvolvimento da produção mecânica através da máquina a vapor e da revolução dos transportes ferroviários. 

A segunda revolução industrial ocorreu nas primeiras décadas do século XX e trouxe a produção em massa através de linhas de montagem e a electrificação.
O transporte rodoviário foi fundamental para a sua implementação.

A terceira revolução industrial foi a revolução do computador, começando na década de 1960, que nos trouxe o mainframe e a computação pessoal, em seguida, a Internet.

A Globalização é resultado (e factor de desenvolvimento) da Terceira Revolução Industrial.
Iniciado pela economia, o fenómeno da Globalização cresceu com as melhorias do transporte de pessoas e mercadorias, mas a sua principal característica reside no desenvolvimento da informática e da cibernética.
Informática é um termo usado para descrever o conjunto das ciências relacionadas ao armazenamento, transmissão e processamento de informações em meios digitais.
Cibernética: Ciência que estuda os mecanismos de comunicação e de controlo nas máquinas e nos seres vivos.

O telefone móvel, as comunicações por cabo ou por satélite e, principalmente, os computadores e a WWW* permitem estabelecer contacto áudio e vídeo em segundos ligando instantaneamente pessoas em diferentes lugares do mundo.
*WWW é a sigla para World Wide Web, que significa rede de alcance mundial, em português ou "teia em todo o mundo" ou "teia do tamanho do mundo“ em tradução literal.

A globalização económica e a massificação dos meios de comunicação produzem um outro fenómeno a aculturação* a nível planetário.
*aculturação
1. Fenómeno pelo qual um indivíduo ou um grupo humano de uma cultura definida entra em contacto permanente com uma cultura diferente e se adapta a ela ou dela retira elementos culturais.
2. Processo através do qual um indivíduo adquire ou se adapta à cultura de determinada sociedade.


Hoje vivemos a Quarta Revolução Industrial, o que afetará os governos, as empresas e as economias de maneiras muito substanciais. Não devemos subestimar as mudanças desta revolução em curso pois há muitas diferenças entre esta e as anteriores. A velocidade vertiginosa a que os acontecimentos agora se sucedem não tem precedentes na História da Humanidade.

domingo, 26 de março de 2017

A Cultura do Espaço Virtual (2): O consumo - Consumir para ser



O consumo é a utilização dos rendimentos na compra de bens e serviços necessários à vida tal como hoje a consideramos.

Podemos considerar diferentes tipos de consumo. Seguem-se alguns exemplos:
Consumo essencial e consumo supérfluo
O consumo essencial refere-se à satisfação de necessidades primárias através da aquisição e utilização de bens indispensáveis à nossa sobrevivência, como os alimentos, o vestuário ou a educação.
O consumo supérfluo ou de luxo assenta na satisfação de necessidades secundárias ou terciárias, ou à aquisição e utilização de bens dispensáveis à nossa vida, como os cosméticos ou o tabaco.
Consumo individual e coletivo
A compra de uma camisola ou a ingestão de alimentos por parte de um indivíduo, é considerado consumo individual (satisfaz a necessidade de um indivíduo).
O consumo coletivo satisfaz as necessidades de vários indivíduos (necessidades coletivas). O consumo de serviços de saúde, de educação ou de justiça, constituem exemplos deste tipo de consumo.

Sociedade de consumo é um termo utilizado para designar o tipo de sociedade que se encontra numa avançada etapa de desenvolvimento industrial capitalista e que se caracteriza pelo consumo massivo de bens e serviços disponíveis, graças a elevada produção.

Algumas características da sociedade de consumo:
Para a maioria dos bens, a sua oferta excede a procura, levando as empresas a recorrerem a estratégias de marketing agressivas e sedutoras que induzem o consumidor a consumir, permitindo-lhes escoar a produção.
Os padrões de consumo estão massificados e o consumo assume as características de consumo de massas.
O consumo de alguns produtos como forma de integração social.
Existe uma tendência para o consumismo (um tipo de consumo impulsivo, descontrolado, irresponsável e muitas vezes irracional).
As multinacionais estão atentas à dicotomia consumo/produção criando constantemente novas marcas e novas modas que expõem aos consumidores através de agressivas campanhas publicitárias.
A publicidade faz com que o consumidor sinta necessidade de obter produtos de consumo, sejam eles essenciais ou supérfluos.
O poder de compra (poder de consumo) define a diferença entre ricos e pobres que se distanciam cada vez mais. 

Será aconselhável encontrar formas mais equilibradas de redistribuição da riqueza lutando contra a pobreza.

Desse modo poderemos consumir e ser e não consumir para ser.

http://www.stevecutts.com/ 

A Cultura do Espaço Virtual (1)



O tempo sobre o qual incide este módulo é já o presente.

Nos anos 60 do século XX, o mundo dividia-se em dois grandes blocos político-económicos: o bloco capitalista liberal, liderado pelos EUA e o comunista, liderado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

Os blocos rivais batiam-se em guerras um pouco por todo o globo apoiando facções inimigas de acordo com os seus interesses políticos e económicos. Foi o período da designada Guerra Fria, entre o fim da 2.ª Guerra Mundial e a queda do Muro de Berlim.
Em 1989 a queda do Muro de Berlim marcou o fim do bloco comunista. O Muro era o símbolo da Guerra Fria e havia sido construído em 1961.

Nos anos 60 deu-se o movimento de descolonização, iniciado após a 2.ª Guerra Mundial. Este movimento viria a terminar nos anos 70 com a independência das colónias portuguesas em África.
No entanto, muitos dos novos países nascidos na ex-colónias continuam, ainda hoje, com graves défices de desenvolvimento social e económico. Muitos destes países formam o designado Terceiro Mundo*.
*Terceiro Mundo é um termo da Teoria dos Mundos para descrever os países que se posicionaram como neutros na Guerra Fria, não se aliando nem aos Estados Unidos nem à União Soviética.
O conceito mais amplo do termo pode definir os países em desenvolvimento e subdesenvolvidos, ou seja, os que possuem uma economia ou uma sociedade pouco ou insuficientemente avançada.
A  maioria destes países continua dependente das tecnologias, dos produtos industriais e do apoio financeiro e humanitário do chamado mundo desenvolvido que, no entanto cobiça e explora as suas matérias-primas

Em muitos destes países existem conflitos étnico-culturais ou religiosos que estão na origem de sangrentos e intermináveis conflitos armados.
Estes conflitos põem em causa a estabilidade local e internacional e estão, em alguns casos, relacionados com o terrorismo internacional, um dos maiores flagelos do mundo contemporâneo.

Na década de 60, o enriquecimento económico era, como hoje, a prioridade das nações mas a industrialização entrou noutra etapa de evolução apostando em novas tecnologias.
As grandes empresas multinacionais dominam a economia e impõem uma visão transnacional dos mercados (globalização económica) e estão na origem da imposição do neoliberalismo*.
*Neoliberalismo - Sistema económico que adapta o liberalismo oitocentista às condições económicas do mundo globalizado. Defende a restrição do papel do estado na regulação do sistema e impõe a livre concorrência e a iniciativa privada.

As grandes empresas apoiam-se na inovação tecnológica que transformam os métodos e processos de produção que cada vez necessitam de menos mão-de-obra humana.

Nos países industrializados a classe operária é cada vez mais diminuta. Muitas fábricas deslocam a sua produção para países subdesenvolvidos onde as leis laborais são praticamente inexistentes.

A ciência e a técnica tornaram-se indispensáveis no nosso quotidiano.
Em nenhuma outra época a vida humana esteve tão dependente da tecnologia.