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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Visita virtual



Neste site (clicaqui) encontras forma de visitar a célebre Capela Sistina. Podes entrar, olhar em redor, podes deitar-te no chão, voar até ao tecto, podes rebolar-te no ar, como o Homem-Aranha, podes olhar o interior da capela da forma que melhor entenderes. É uma visita que só faz sentido neste universo virtual em que nos movemos, sem corpo nem peso nem problemas com a força da gravidade.
Boa viagem.

sábado, 23 de maio de 2009

Utopias arquitectónicas


No início do século XX surgiram ideias estranhas sobre a arquitectura. Em Itália, os futuristas, de acordo com o programa do seu Manifesto, procuravam uma nova linguagem que servisse a técnica construtiva e o trânsito, novas tarefas geradas pela revolução industrial.
Centrais eléctricas, gares de comboios, aeroportos e cidades compostas por extraordinários conjuntos de arranha-céus. Praticamente nenhum destes fantásticos projectos foi realizado visto serem demasiado arrojados para a sua época tanto do ponto de vista arquitectónico quanto financeiro.
Os inflamados manifestos futuristas chegaram à Rússia onde iriam influenciar o Construtivismo. O que unia estes dois movimentos era, essencialmente, o entusiasmo pelas possibilidades aparentemente ilimitadas que as novas técnicas construtivas colocavam à disposição dos arquitectos.
Também influenciados pelo Cubismo e pelas ideias do Suprematismo, os arquitectos do Construtivismo russo foram importantes na definição de novos e radicais paradigmas; modelação espacial entendida como espaço livre, edifícios arremessando-se para o alto, elementos construtivos reduzidos a formas e cores básicas, uma arquitectura ao serviço dos ideais revolucionários de modo a que as ruas fossem “uma festa da arte para todos.”
Tal como no Futurismo, também aqui a maioria dos projectos acabou por não passar disso mesmo.
O Expressionismo arquitectónico teve a sua base na Deutscher Werkbund. Usou a arquitectura com o mesmo valor e conceptual da escultura e da pintura. Assim, as formas dos edifícios foram fantásticas, bizarras e expressivas.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

O Palácio de Cristal


No início da Revolução Industrial, a Inglaterra, procurando afirmar a superioridade da sua engenharia e da sua indústria, organizou a Exposição Internacional da Indústria, do Comércio e das Artes, a primeira exposição mundial realizada.

Vitória e Alberto

Em 1850, o Príncipe Alberto, marido da Rainha Vitória, criou uma comissão real encarregue de organizar a exposição, começando pela construção do local do evento.


A comissão era formada por engenheiros e arquitectos, como Charles Barry (um dos arquitectos das casas do Parlamento), Robert Stephenson e Isambard Kingdom Brunel, recebeu muitos projectos, que foram severamente criticados e, em seguida, descartados.
Face à urgência do empreendimento, a própria comissão decidiu desenvolver um projecto, liderado por Brunel. Mas, devido à sua grandiosidade e complexidade foi posto de lado.


Foi então que surgiu o projecto de Joseph Paxton, jardineiro e construtor de estufas.
Baseado na estrutura de um certo tipo de nenúfares, a que foi dado o nome de vitória-régia, Paxton desenvolveu um projecto extraordinário para o descomunal edifício.


A estrutura da vitória-régia revelou grande resistência quando Paxton colocou sobre a planta a sua filha de 8 anos

A comissão, preocupada devido ao curto prazo para a inauguração da exposição, não teve outra alternativa senão aceitar a arrojada proposta do construtor de estufas e Paxton teria apenas duas semanas para apresentar o projecto final.


Assim como na folha da vitória-régia, um conjunto de nervuras transversais apoiava-se em grandes vigas longitudinais, suportadas por fileiras de pilares, que tinham a mesma função que a água desempenha na folha, resistir aos esforços verticais trazidos pelas nervuras.

Construção do Palácio de Cristal

O travamento da estrutura, necessário devido à sua altura, era feito através de barras colocadas em forma de "X“. Logo, as vigas seriam na estrutura as nervuras das folhas nas regiões em que se encontram praticamente paralelas. Os pilares, assim como as vigas, seriam de ferro fundido e as paredes de vidro, facilitando a execução do projecto.


As colunas de ferro, ocas, também funcionavam para escoamento da água que as nervuras e vigas, simultaneamente funcionando como calhas, recolhiam.
Com o auxílio de equipamentos e força animal os pilares e vigas eram montados com extrema facilidade.


Após a colocação da estrutura básica, pilares e vigas, a vedação vertical do palácio foi feita com placas de vidro que não desempenhavam qualquer tipo de função estrutural ou suporte, apenas de vedação.


Os arcos do transepto, que foram colocados para permitirem a permanência de grandes árvores existentes no parque, transformavam aquela enorme montanha de ferro e vidro numa elegante construção.
Foram envidraçados por mais de 80 homens, que fixaram 330000 placas de vidro.


As críticas tornaram-se frequentes. Havia dúvidas quanto à resistência da estrutura em caso de fortes rajadas de vento, ou mesmo debaixo de grandes tempestades.


Porém nada de grave aconteceu e no dia 1 de Maio de 1851 a exposição foi inaugurada pela rainha revelando-se um grande triunfo.


A construção do Palácio de Cristal ficou concluída em apenas 12 meses. Os princípios estabelecidos por Paxton no seu projecto revelaram-se verdadeiramente revolucionários e a arquitectura ia mudar. Muito.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Notas sobre arquitectura barroca

Fachada e altar principal da Catedral de Santiago de Compostela, Galiza


Um forte apelo aos sentidos

A arquitectura do Barroco foi sobretudo marcada pela entrada em acção da Contra-Reforma. O poder eclesiástico e temporal era absoluto e de origem divina. A arquitectura barroca veio representar com a grandeza e a sumptuosidade apropriadas a autoridade de ambos os poderes. Os meios utilizados eram semelhantes: o poder era encenado, os sentidos do observador estimulados; os objectivos eram a desorientação e a subjugação.
(...)
in, História da Arquitectura - da Antiguidade aos nossos dias, direcção de Jan Gympel, Ed. Könemann, página 53

A arte de inspiração católica produzida ao longo do período barroco (1600-1780 é um intervalo possível que se pode alargar conforme as obras observadas) tem uma intenção clara e uma finalidade evidente: é uma arte ao serviço dos poderosos, um meio de propaganda dos poderes instituídos.

Sendo a arquitectura a forma de expressão plástica mais completa, na medida em que serve de suporte às restantes expressões, conjugando-as em grandes narrativas de leitura complexa, é aí que encontramos com maior nitidez a materialização do espírito grandioso e dramático característico da época.
Partindo do princípio que toda a arte barroca é uma encenação, as suas construções serão palcos sumptuosos que servem às mil maravilhas a exibição esmagadora do poderio do rei absoluto e dos seus aliados no seio da igreja.

O homem comum é reduzido à sua insignificância perante a riqueza do espectáculo e a grandeza do edifício. O homem comum pode apenas aspirar à humilde condição de espectador daquele teatro de vaidades. Numa sociedade de ordens sabe que o mundo fascinante das ociosas classes dominantes lhe é absolutamente vedado. Pode apenas aspirar a um lugar no Paraíso, após a morte, se respeitar com rigor as regras impostas pelo Concílio de Trento. E a forma como imagina o Paraíso é, decerto, moldada por aquilo que vê (e o que não vê) das grandes catedrais e dos palácios, das figuras dos cortesãos e dos grandes senhores da igreja.

O mundo do barroco é um mundo injusto e desigual e, como seria de esperar, a arte por ele influenciada materializa de forma grandiosa os contrastes dessa época.


segunda-feira, 10 de março de 2008

Arquitectura do ferro -1

Obras frágeis em ferro e vidro

"Tinha começado a Idade Moderna. No entanto por onde andava a arquitectura moderna? O beco sem saída para onde o Historicismo a tinha conduzido não permitia ver que a saída tinha sido encontrada à muito. Por volta de 1750 a produção de ferro em bruto tornara-se mais barata. No final do século XVIII a máquina a vapor já se encontrava de tal modo desenvolvida que podia ser aplicada na produção de quantidades cada vez maiores de ferro gusa, fundido ou forjado.. Já em 1775-1779 tinha sido construída uma ponte de arcos em ferro fundido sobre o rio Severn perto de Coalbrookdale (Inglaterra) a primeira deste género.
(...) A leveza e a transparência desta construção de aspecto frágil, também se diferenciava claramente dos arcos em pedra, o que era ainda mais sublinhado pelo facto de se encontrar armada entre contrafortes de pedra.


Ponte de ferro sobre o Severn (1775-1779)

Leveza, transparência, uma impressão de tensão e fragilidade são características estéticas da construção metálica."

História da Arquitectura - da Antiguidade aos nossos dias, Könemann, pág. 75,