sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A tragédia (módulo 1)

Entre nós a palavra "tragédia” é utilizada para designar um acontecimento doloroso, catastrófico ou para descrever algo extraordinariamente negativo.
Para os gregos significava outra coisa:
tragédia definia, acima de tudo, uma forma artística, ou algo que somente ocorria entre os grandes, os nobres, os heróis ou os deuses.

No campo das artes, tal como nas reuniões sociais, no atletismo e em outras atividades culturais, os gregos adoravam competir.

Gostavam de competições nos festivais que ocorriam durante as celebrações das Grandes Dionísias que tinham lugar no início Primavera, em honra de Dioniso.

Nesse festival os tragediógrafos concorriam a um prémio, com uma tetralogia composta por três tragédias e uma peça satírica cada.

Gostavam de louvar e premiar os vencedores. Criavam um júri composto por 10 juízes, um de cada tribo da Ática, que juravam dar um veredicto imparcial.

O vencedor era anunciado pelo arauto e homenageado com uma coroa de louros. Por vezes os espectadores protestavam violentamente contra um prémio impopular.

Depois de Téspis a tragédia grega evoluiu rapidamente. A criação da tragédia grega deveu-se grandemente a 3 autores dos quais chegou até nós apenas uma pequena amostra do seu trabalho: aproximadamente 30 peças de um conjunto de 300.

A literatura grega reúne três grandes autores de tragédias, cujos trabalhos atravessaram os séculos e são, ainda hoje, frequentemente levados a cena em todo o mundo ocidental:
Ésquilo, Sófocles e Eurípides.

Ésquilo é reconhecido frequentemente como o “pai” da tragédia.
De acordo com Aristóteles, Ésquilo aumentou o número de personagens usadas nas peças de modo a permitir a criação de conflitos entre elas (aumentou para 2 o número de atores).
Aumentando o número de atores, Ésquilo reduziu a atuação do coro e deu à parte falada (o diálogo) o papel principal da peça.
Ésquilo combateu os persas nas batalhas de Maratona e de Salamina.
Apenas sete de um total estimado de setenta a noventa peças criadas pelo autor chegaram aos dias de hoje sendo Os Persas a mais antiga que conhecemos.
Um tema será importante em grande parte dos seus textos: o da pólis como exemplo vital para o desenvolvimento da civilização humana.

As peças de Sófocles retratam frequentemente personagens nobres e da realeza.
Sófocles terá escrito 123 peças teatrais durante sua vida, mas apenas sete chegaram completas aos dias de hoje.
Ao longo de quase 50 anos, Sófocles foi o mais celebrado dos dramaturgos nos concursos dramáticos da cidade-estado de Atenas.
Sófocles competiu em cerca de 30 Dionisíacas, venceu 24 e nunca terá ficado abaixo do segundo lugar; em comparação, Ésquilo venceu 14 concursos e foi derrotado por Sófocles várias vezes, enquanto Eurípides ganhou apenas quatro competições.
Nas suas tragédias, mostra dois tipos de desafios à ordem do cosmo: o que decorre do excesso de paixão e o que é consequência de um acontecimento acidental (destino).
Transformou o papel do coro, tornando-o parte integrante do enredo.
Elevou o número de atores de dois para três.

As peças de Eurípides não são acerca dos deuses ou da realeza, mas sobre pessoas reais. Colocou em cena camponeses ao lado de príncipes e deu igual peso aos seus sentimentos.
Mostrou a realidade da guerra, criticou a religião, falou dos excluídos da sociedade: as mulheres, os escravos e os velhos.
Em termos dramatúrgicos Eurípedes adicionou o Prólogo à peça, no qual “situa a cena” (apresenta o que se vai passar).
Ao longo da sua vida, Eurípides foi considerado quase um marginal e foi frequentemente satirizado nas comédias de Aristófanes.
Eurípides foi autor do  qual chegaram até nós um maior número de peças trágicas: dezoito no total.

A tragédia clássica deveria cumprir, segundo Aristóteles, três condições: possuir personagens de elevada condição (heróis, reis, deuses), ser contada numa linguagem esmerada e digna e ter um final triste.








quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A máscara (módulo 1)

Téspis terá sido o primeiro poeta a introduzir um ator numa representação teatral que tomou o nome de Hipocrites, aquele que fingia ser quem não era.

A função do primeiro ator era a de responder ao coro e à sua figura principal (o corifeu) proporcionando um diálogo falado entre os cânticos do coro.
Téspis terá disfarçado a face com uma máscara.

A máscara servia para caracterizar uma personagem e, visto que nunca havia mais de 3 atores na representação de uma tragédia, ela ajudava-os a desempenhar vários papeis.

A máscara teatral permitia ao público assimilar o caráter da personagem através da acentuação dos seus traços expressivos.

Uma segunda personagem separada do coro, terá sido introduzida utilizando o ator uma máscara na face e outra na nuca.

As máscaras distinguiam-se pela cor, o penteado, a riqueza da barba, a expressão das sobrancelhas.
O maior inconveniente que oferecia o uso da máscara era a rigidez que impunha ao rosto, quando, por exigências do texto, o ator devia passar de um sentimento a outro contrário.

A máscara cobria não apenas o rosto do ator (sempre do sexo masculino), com aberturas para os olhos e boca, mas também o alto da cabeça.
O ator calçava coturnos, sapatos de solas grossas e pintadas, que davam ao intérprete dimensões fora do normal. 

Assim, os atores representavam usando essencialmente o tom de voz e o gesto.

As diferenças entre os vários tipos de personagens revelavam-se em, aproximadamente, 25 espécies de máscaras para a representação de tragédias e mais de 40 para o género cómico.

A máscara esconde e revela.
Esconde a identidade do ator e revela a da personagem.

A máscara informa e interpela o espectador.
A máscara transforma.

O teatro é uma máscara do mundo.







quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Os Persas (módulo 1)

Os Persas
(excerto lido na aula)
Os Persas de Ésquilo são a peça grega mais antiga que chegou inteira ao nosso tempo. A data da sua primeira representação foi 472 a. C., oito anos depois da derrota do exército Persa na batalha de Salamina.

Os Persas

Corifeu
Coro dos Anciãos
Rainha
Mensageiro
Espectro de Dario
Xerxes

Corifeu:
Diante de vós estão aqueles a quem chamam os Fiéis. (…) Foi Xerxes, nosso rei e senhor, que (…) nos escolheu para velar pelo país.
Coro:
A esta hora já o exército real, destruidor de cidades, chegou à costa fronteira do continente vizinho.
Ninguém será capaz de resistir a esta imensa torrente de homens (…)
Rainha:
Mas há algumas coisas que eu desejaria saber (…) meus amigos:
Em que ponto da terra dizem que fica situada Atenas?
Corifeu:
Longe, a ocidente, onde o Senhor Sol desaparece.
Rainha:
E o meu filho desejava conquistar essa cidade?
Corifeu:
Sim, porque então toda a Grécia ficaria sujeita ao Rei.
Rainha:
(…)
E que chefe os dirige e comanda o seu exército?
Corifeu:
Eles não são escravos nem súbditos de ninguém.
(…) tu vais saber o que se passa. Vem a chegar um homem correndo. Boa ou má, é segura a notícia que traz.
Mensageiro:
Ó cidades de toda a terra da Ásia, ó terra da Pérsia (…) de um só golpe (…) foi ceifada a flor dos Persas.
Coro:
Ó dolorosos, dolorosos males, inauditos e miserandos! Ai de nós! Chorai Persas, ao ouvir estas desgraças.
Mensageiro:
Sim, tudo o que partiu foi destruído e eu próprio é contra toda a esperança que regresso.
Coro:
Ah! Foi demasiado longa esta vida que  permitiu, velhos como somos, que chegássemos a ouvir este desastre inesperado.
Mensageiro:
(…) A costa de Salamina e toda a região em volta estão juncadas de cadáveres daqueles que um destino funesto atingiu.
Coro:
Ai, ai! Ao ouvir-te, vejo os membros dos nossos queridos mortos batidos pelo mar, mergulhando e voltando a mergulhar nas ondas (…)
Mensageiro:
De nada nos serviram os arcos: todo o nosso exército pereceu, vencido no choque das naus.
Coro:
Sobre os nossos infelizes guerreiros solta um grito desolado, funesto. Os deuses fizeram cair sobre os Persas toda a casta de males. Ai de nós, o nosso exército foi destruído!



Do ritual ao teatro (módulo 1)

Em Atenas, as celebrações rituais das Dionísias foram transferidas da ágora para a encosta sul da Acrópole. Aí, no teatro de Dioniso, manteve-se como núcleo da ação a orquestra, local onde se dança, tendo como centro o altar do deus.

O theatron
A forma de participação dos cidadãos nos rituais dionisíacos  alterou-se com a passagem da ágora para o “theatron” (o local onde se vê).
Aqui passou a existir uma separação clara entre o coro (os que representavam o ditirambo) e os que participavam assistindo: os espectadores.
Assim, os teatros situavam-se ao ar livre, nos declives das encostas, locais que proporcionavam uma boa acústica.

Inicialmente os bancos eram feitos de madeira mas, a partir do século IV a.C., passaram a ser construídos em pedra, projetados para sentar em segurança uma vasta audiência num auditório que proporcionasse uma perspetiva abrangente .
Na idade de ouro do teatro grego, o século V a. C., na Atenas democrática do século de Péricles, é acrescentada a skene.

Esta skene começou por ser um edifício em madeira e temporário, que assumia uma dupla função, funcionaria como local de arrumos e como camarim, usado pelos atores para a mudança de vestuário.
Externamente, servia de estrutura capaz de sustentar um determinado cenário que seria facilmente alterado. O espaço defronte à skene é designado como proscénio e torna-se espaço de representação privilegiado.

As entradas laterais do teatro - as parodoi (plural), parodos (singular)- ficavam de cada um dos lados e era através delas que os atores e o coro faziam a sua entrada na orquestra. Para além destas duas possibilidades, havia também, como alternativa, uma porta central na skene.



Origens da Tragédia
A origem do texto teatral terá sido o ditirambo.
O ditirambo consistia num misto de canto e dança portanto, mais do uma forma literária, era uma forma de espetáculo.

O conjunto dos intérpretes do ditirambo designa-se por coro e os elementos que o compõem são os coreutas.

Deste grupo destaca-se o corifeu, aquele que enuncia partes isoladas do texto.

Quando o ditirambo passa a ser representado no theatron a sua estrutura evolui e do coro destacam-se  um, dois ou três atores.

Estes  dialogam, em diferentes situações, com o corifeu ou com o coro.
Téspis terá sido o primeiro poeta a introduzir um ator numa representação teatral que tomou o nome de Hipocrites, aquele que fingia ser quem não era.
Dois milénios mais tarde o nome deste ator tornou-se a raiz da palavra hipócrita, usada para referir qualquer tipo de fingidor.



Dioniso, o que nasceu duas vezes (módulo 1)

Cortejo dionisíaco (pintura em vaso grego)

Um mito é uma narrativa de caráter simbólico, relacionada com uma dada cultura, que procura explicar e interpretar, por meio da ação e do modo de ser das personagens, os fenómenos da natureza e da vida humana.

Dioniso, o deus grego do teatro, da dança e da música, nasceu duas vezes.
Hera, a ciumenta esposa de Zeus, convenceu a sua rival mortal, Sémele, a pedir ao deus que este se lhe revelasse na sua forma celestial.
A deslumbrante visão fez com que a amante de Zeus se incendiasse.
Zeus arrancou o filho do ventre de Sémele antes que fosse tarde demais e, para salvar a criança, coseu o feto à sua própria coxa. Findo o período de gestação, Dioniso voltou a nascer.

Facto único entre os deuses, era filho de uma mortal, último deus a chegar ao Olimpo e, de todos, o mais inesperado e inseguro.

A origem e o papel atribuído às divindades do Olimpo varia conforme as épocas e os autores.  O mesmo acontece com Dioniso, o mais estranho dos deuses, a quem alguns atribuíam o regresso da Primavera .

O culto de Dioniso foi associado a todos os elementos liquídos da humidade fertilizante, da chuva e do orvalho, do sangue e da vida, do sémen masculino e da seiva suculenta das plantas. 
Deus também dos regressos bem-aventurados, enchia ânforas com cereais e óleo e alimentava as crias das ovelhas e das vacas.
Baco é outro nome por que ficou conhecido.

Segundo Tucídides, no primeiro dia da mais antiga celebração dedicada a Dioniso, eram abertas pipas de vinho para libações no santuário do deus.
No segundo dia, o dia dos cântaros, era dada a cada participante uma jarra de vinho e faziam-se competições para ver quem primeiro a esvaziava.

Depois fazia-se um desfile com sátiros tocando flauta e a presença do deus sob a forma de um dos habitantes da cidade. Após o sacrifício do touro celebrava-se um casamento simbólico entre o próprio deus e a rainha da cidade.

No último dia proferiam-se orações especiais e procedia-se a um sacrifício em nome da ressurreição dos mortos. Dioniso era simultaneamente o deus da vida e da morte. O Inverno sem vida e a Primavera da renovação eram ambos necessários.

As sacerdotisas de Dioniso chamavam-se bacantes (ou ménades, de mania, loucura) em virtude do êxtase frenético com que exerciam o culto.
As bacantes, oficialmente designadas pelas suas cidades para as Dionísias, louvavam o deus com danças sagradas.

Estas bailarinas não sentiam dor nem fadiga pois estavam possuídas pelos poderes do deus que celebravam.
Divertiam-se ao som de tambores e oboés e, no auge de loucas danças, desfaziam com as mãos um pequeno animal que haviam amamentado ao peito.
O ditirambo, cântico a Dioniso entoado nas festas em sua honra, esteve na origem do teatro grego.
Inicialmente um simples cântico interpretado pelo próprio deus quando estava toldado pelo vinho, o ditirambo transformou-se numa criação coral com uma forma determinada.

Em Atenas, onde era dançado e entoado por 50 homens ou rapazes em torno do altar, o ditirambo era também conhecido por “coro circular”.
A competição de coros ditirâmbicos tinha lugar entre tribos. Cada uma das 10 tribos formava um grupo coral, havendo 5 coros de homens e 5 coros de rapazes.

Estes rituais são considerados os antepassados diretos do teatro.

Os ditirambos aí entoados  e dançados eram danças circulares para coros circulares, rituais inicialmente celebrados numa “orquestra” (termo grego que significava “local de dança”) situada na ágora, ao ar livre, e todos participavam nelas uma vez que não existia um plano elevado para o coro.

O templo do deus ficava suficientemente próximo da orquestra para que, durante os festivais, a imagem sagrada pudesse ser facilmente transportada para o exterior a fim de que o deus assistisse à sua própria celebração.

Para além do deus, ali presente através da sua estátua, não havia outros espetadores.



domingo, 26 de outubro de 2014

Mito (módulo 1)

O homem encontrou uma forma de escapar à passagem do tempo traduzindo a memória das suas experiências em palavras.
Entre as mais duradouras criações da cultura grega encontra-se a sua mitologia ligada aos deuses.

O mito de Narciso
Segundo a mitologia existia uma ninfa bela e graciosa tão jovem quanto Narciso, chamada Eco e que amava o rapaz em vão. A beleza de Narciso era tão grande que ele pensava ser semelhante a um deus, senhor de uma beleza comparável à de Dionísio e Apolo. 
Com olhos apenas para si próprio, Narciso rejeitou a afeição de Eco de tal modo que esta, desesperada, definhou, até se transformar apenas num sussurro débil e melancólico.
Para dar uma lição ao frívolo rapaz, a deusa Némesis condenou Narciso a apaixonar-se pelo seu próprio reflexo na lagoa de Eco.
Encantado pela sua própria beleza, Narciso desinteressou-se de tudo o mais, e permaneceu imóvel na contemplação ininterrupta de sua face refletida.
Assim morreu. 
Quando as ninfas foram buscar o corpo do rapaz apenas encontraram uma flor no seu lugar que passou a ser designada por narciso.

Hércules
Certos estudiosos acreditam que, por trás das complexas histórias que envolvem o mito de Hércules, existiu um homem verdadeiro, talvez um senhor de  Argos.
Outros sugerem que o mito de Hércules (e os seus doze trabalhos) é uma alegoria da passagem anual do sol pelas doze constelações do zodíaco.
A tradição afirma que Hércules foi fruto da união de Zeus com a mortal Alcmena.
Enquanto o marido de Alcmena estava na guerra, Zeus tomou a sua forma para a enganar.
Hera, a esposa de Zeus, furiosa pela traição do marido, enviou serpentes para matarem o bebé no seu berço. Mas Hércules, filho do deus dos deuses, esmagou as serpentes com a sua força prodigiosa.

Os doze trabalhos
Os doze trabalhos de Hércules são uma série de episódios ligados entre si por uma narrativa contínua, relativa a uma penitência que teria sido cumprida por um dos maiores heróis gregos. Hércules assassinou a sua esposa, Mégara e os seus três filhos, num acesso de loucura provocado por Hera.
Como penitência, Hércules deveria executar uma série de trabalhos, e servir Euristeu ao longo de doze anos. Uma vez cumprida esta penitência, Hércules tornar-se-ia imortal.
1. Hércules estrangulou o Leão da Nemeia - filho dos monstros Ortros e Equidna - que devastava a região e que os habitantes do local não conseguiam matar. 
O herói estrangulou-o  e, acabada a luta, arrancou a pele do animal com as suas próprias mãos e passou a utilizá-la como peça do vestuário. A criatura converteu-se na constelação de leão.
2. Matou a Hidra de Lerna, filha monstruosa de duas criaturas grotescas, a Equidna e Tifão. Era uma serpente com corpo de dragão e possuía nove cabeças que, mal eram cortadas, exalavam um vapor que matava quem estivesse por perto.
 Hércules matou-a cortando –lhe as cabeças enquanto Iolau, sobrinho do herói, impedia a sua reprodução queimando as feridas com tições em brasa.
3. Alcançou correndo a Corça de Cerineia, um animal lendário, com chifres de ouro e pés de bronze. A corça, que corria com assombrosa rapidez e nunca se cansava, era Taígete, ninfa que, para fugir à perseguição de Zeus foi transformada por Ártemis no animal. Como ela tinha uma velocidade insuperável, Hércules perseguiu-a incansavelmente durante um ano até que, exausta, foi atingida por uma flecha disparada pelo herói. Ferida levemente, foi levada nos ombros do herói até o reino de Euristeu.
4. Capturou vivo o Javali de Erimanto, que devastava os arredores, ao fatigá-lo após uma perseguição que durou horas.
5. Limpou em apenas um dia os currais do rei Aúgias, que continham três mil bois e que há trinta anos não eram limpos. Estavam tão fedorentos que exalavam um gás mortal. Para cumprir reste trabalho, Hércules desviou dois rios.
6.  No lago Estínfalo matou, com as suas flechas envenenadas, monstros cujas asas, cabeça e bico eram de ferro, e que, pelo seu gigantesco tamanho, interceptavam no vôo os raios do Sol.
7. A sétima tarefa de Hércules foi levar o Touro de Creta vivo até Euristeu. O touro era muito bravo e aterrorizava o povo da ilha. Hércules capturou-o e, montado no animal, levou-o até Euristeu.
8. Castigou Diómedes (rei da Trácia), possuidor de cavalos que vomitavam fumo e fogo,  a quem ele dava a comer os estrangeiros que as tempestades arrolavam à sua costa. O herói entregou-o aos seus próprios animais que o devoraram.
9. Venceu as amazonas numa terrível batalha após matar a rainha Hipólita, apossando-se do cinturão mágico que ela vestia como lhe fora ordenado por Euristeu.
10. Matou o gigante Gerião, monstro de três corpos, seis braços e seis asas, e tomou-lhe os bois que se achavam guardados por um cão de duas cabeças, e um dragão de sete. Após uma série de peripécias conseguiu levar o gado roubado a Euristeu.
11. O seu décimo primeiro trabalho foi colher as maçãs de ouro do Jardim das Hespérides. As maçãs haviam sido um presente de casamento oferecido por Hera a Zeus. Este trabalho haveria de ser impossível de realizar!
 O herói propôs a Atlas substituí-lo na tarefa de sustentar às costas o céu e a terra. Atlas, que detestava ter de sustentar o universo por toda a eternidade, aceitou e foi ele quem matou o terrível dragão de 100 cabeças que guardava as maçãs.
12. O último trabalho consistiu em trazer do mundo dos mortos o seu guardião, o cão Cérbero. 
Hades autorizou-o a levar Cérbero para a Terra sob a condição de conseguir dominá-lo sem usar armas. Hércules lutou com a força dos seus braços dominando a terrível fera.
Após apresentar a besta a Euristeu, Hércules devolveu-a às profundezas do seu mundo subterrâneo.

Hércules tornou-se um dos mais populares heróis de toda a cultura Ocidental.
Ao longo dos séculos as suas aventuras serviram de inspiração e exemplo a gerações de jovens sonhadores.
A força e o engenho são as características principais do herói que se tornou imortal.




Batalha de Salamina (módulo 1)

Batalha de Salamina foi o combate entre a frota persa, liderada por Xerxes  e a grega, comandada por Temístocles.

Com o objetivo de incluir a Grécia no seu império, o jovem rei Xerxes, filho e sucessor de Dario I, preparou um poderoso exército constituído por soldados persas, assírios, árabes, egípcios, lídios e indianos, composto por unidades de infantaria e uma armada formada por 1207 navios de grande calado.

A batalha travou-se no estreito que separa Salamina da Ática, possivelmente no dia 29 de setembro de 480 a.C. e terminou com a vitória grega.

O avanço do temível exército Persa fez com que os Gregos pusessem de parte as suas diferenças formando uma aliança de diversas cidades-estado, preparando um plano de resistência à invasão.

Um dos episódios mais célebres desta invasão é o da batalha das Termópilas onde 300 espartanos chefiados por Leónidas lutaram até à morte tentando impedir a passagem dos persas.

Apesar do esforço e da coragem dos espartanos, os persas venceram a batalha nas Termópilas avançando sobre Atenas. Os habitantes, assustados, fugiram para a ilha de Salamina, situada em frente ao porto de Atenas, o Pireu.

Atenas foi invadida, os resistentes que ficaram na sua defesa foram chacinados e a cidade foi saqueada e incendiada.

Entretanto, Temístocles, comandante da frota ateniense, organizou um plano de resistência: com astúcia atraiu a frota persa para o golfo de Salamina, fazendo correr o boato de que os gregos se iriam render e entregar ao invasor.

Conhecedor da zona, Temístocles sabia das dificuldades que os enormes navios persas iriam ter para manobrar entre correntes e baixios.

Temístocles colocou estrategicamente a sua pequena frota de trirremes que, com perícia e inteligência, derrotaram a armada persa que não teve outra alternativa senão retirar e abandonar a batalha.

Depois do ataque com os esporões, os gregos passaram à luta corpo a corpo e ao uso dos seus arcos e artes marciais — em que eram exímios —, enquanto os seus hoplitas (infantaria pesada) provocaram estragos entre os soldados e as tripulações persas.

A vitória em Salamina acelerou o fim das guerras persas, confirmou a independência das cidades gregas e colocou Atenas, a salvadora da Grécia, em posição de liderança vindo a assumir o controle da Liga de Delos, fundada em 478 a. C.

Que curso teria seguido a História se os Persas tivessem triunfado em Salamina colocando um ponto final na experiência democrática levada a cabo por Atenas?




sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O Século de Péricles (módulo 1)

Também conhecido como a “Idade de Ouro de Atenas” ou Período Clássico, foi uma época  histórica de grande desenvolvimento da cidade de Atenas.

Este período corresponde ao século V a.C. da história da Grécia Antiga, principalmente aos anos em que Péricles governou Atenas (de 444 a 429 a.C.).

A partir do século VIII a.C., os gregos formaram as chamadas pólis, que eram cidades-Estado (cidades autónomas): estas cidades eram economicamente auto-suficientes (autarquia); tinham uma massa proporcionada de cidadãos; era nestas cidades que se davam os cultos cívicos, religiosos e aos heróis e tinham leis próprias.

Neste século, Atenas tornou-se a principal cidade da Grécia Antiga, pois teve um grande desenvolvimento nas áreas da Política, do Teatro, das Artes plásticas, da Arquitetura, da Filosofia, da História, da Literatura, da organização social e do desenvolvimento urbano.
Um dos principais aspetos de Atenas nesta época foi a democracia.
Péricles aperfeiçoou o sistema político implantado pelo legislador Clístenes no começo do século VI a.C.

Péricles foi eleito para o cargo de estratego (líder do exército, general) em 460 a. C., cargo que ocupou ao longo de 30 anos por ter vencido a eleição 15 vezes seguidas.
A nível interno, Péricles procurou consolidar a Democracia.
Preocupou-se também com a reconstrução de Atenas após a destruição causada pela guerra com os Persas.
O objetivo principal de Péricles era que a democracia servisse para o benefício do maior número possível de atenienses, tendo como princípio a igualdade de todos perante a Lei (isonomia).
A nível externo, Péricles procurou assegurar a defesa de Atenas e outras cidades gregas contra inimigos estrangeiros.

Reforçou o poder da Liga de Delos* da qual foi presidente. Nessa qualidade beneficiou a cidade de Atenas o que levou ao crescimento de antigas rivalidades com outras cidades-estado
Esta situação conduziu Atenas à designada Guerra do Peloponeso com a cidade de Esparta, iniciada em 431 a.C.

Embora a democracia possa ser definida como "o governo do povo, pelo povo e para o povo", é importante lembrar que o significado de "governo" e "povo" na Atenas Antiga diferia daquele que tem nas democracias contemporâneas. 

Enquanto a democracia contemporânea em geral considera o governo um corpo formado por representantes eleitos, e o "povo" (geralmente) como um conjunto de habitantes de uma nação, os atenienses consideravam o "governo" como sendo a assembleia (ekklesia) que tomava decisões diretamente (sem o intermédio de representantes) e o "povo" (geralmente) como os homens atenienses alfabetizados maiores de idade, os cidadãos.

As mulheres, os metecos (estrangeiros residentes nas pólis gregas) e os escravos não faziam parte da ekklesia.

escravidão era prática comum e componente integral da vida na Grécia Antiga, ao longo de toda a sua história, da mesma maneira que nas demais sociedades antigas.

Estima-se que em Atenas a maioria dos cidadãos tinha pelo menos um escravo.
A maior parte dos pensadores do período antigo considerava a escravidão não só como algo natural, mas também necessário.

Outro ideal interessante e inovador para a época, defendido por Péricles, era a meritocracia. Para ele, na vida pública, os méritos não deveriam vir do nascimento ou da riqueza, mas sim das competências e dos talentos.