sábado, 23 de maio de 2009

O regresso do Realismo

Após a 1ª Guerra a arte ocidental assistiu ao regresso do Realismo.
Este Neo-Realismo recupera o conceito de que a arte deve reflectir a sociedade, assumindo um papel interventivo e de compromisso com uma certa visão político-ideológica. Para alcançar esses objectivos recorreu a uma linguagem plástica figurativa.

Este regresso da arte a um realismo socialmente comprometido esteve directamente relacionado com determinados contextos políticos e sociais que originaram cambiantes temáticos, técnicos e formais muito específicos.

Na Rússia, após a Revolução Bolchevique de 1917, houve um primeiro momento em que foram as vanguardas (Suprematismo e Construtivismo) a marcar a arte oficial. Após 1925 entra em cena o Realismo Socialista.


Boris Vladimirski
Rosas para Staline,1949

O Realismo Socialista recorreu a uma arte académica na criação de arquétipos facilmente identificáveis pelas massas: o camponês, o operário, o soldado, que personalizavam as virtudes revolucionárias.

Foi uma arte propagandística e apologética, daí que o cartaz se tenha tornado uma das suas expressões mais significativas.

Em "Operário e camponesa de Kolkhoz" (1937) da escultora russa Vera Mukhina, um martelo e uma foice, símbolos do poder agrícola e industrial da União Soviética, são erguidos no ar por trabalhadores heróicos que caminham a passos largos e com confiança em direcção ao futuro. O monumento de 24 metros de altura e 75 toneladas, que esteve outrora exposta no Pavilhão Soviético da Exposição Internacional de Artes, Ofícios e Ciências de Paris, em 1937, foi usado como objecto de propaganda. A obra é um símbolo incontestavelmente poderoso do Realismo Socialista, estilo de arte heróico e oficialmente sancionado que exaltava o estado soviético.


"Operário e camponesa de Kolkhoz" (1937) da escultora russa Vera Mukhina na exposição de Paris em 1937

Por razões semelhantes às do estado soviético (carácter propagandístico, clareza da mensagem de fácil acesso às massas populares, exaltação dos valores patrióticos através da criação e veneração de símbolos, culto da personalidade do chefe) a linguagem realista foi recuperada noutros contextos político-ideológicos, principalmente de carácter totalitário.


O Porta-Bandeira, por Hubert Lanzinger
1935


Em países governados por regimes abertos, a estética realista manifestou-se com um sentido ético e humanitário. Livre do controle e da censura dos regimes totalitários, revestiu-se de formas mais livres e personalizadas - Realismo Social ou Neo-Realismo.

3 comentários:

jugioli disse...

Adoro suas aulas!!!

sempre bom rever.

bjs.

Silvares disse...

Ju, nos últimos tempos tenho colocado aqui os textos que utilizo em "powerpoints" que são projectados na aula. Nem todas as imagens são aqui publicadas. O objectivo é fazer com que os alunos, durante as aulas, estejam atentos às imagens e possam intervir, comentando. Depois podem vir aqui e retirar os apontamentos para estudar. A INTERNET é uma ferramenta extraordinária!
:-)
Fico grato pelas suas visitas.

Michelle disse...

OI gostaria de agradecer pela ajuda...vai ser muito util na aula de semiotica de amanhã
valeu abçs