sábado, 10 de novembro de 2012

A escultura (A cultura da Ágora 6)




A escultura grega cumpriu funções religiosas, políticas, honoríficas, funerárias e meramente ornamentais.
A escultura grega  evoluiu ao longo dos séculos na forma como representou a figura humana.
Atletas, heróis e deuses foram esculpidos de acordo com conceções ideais de beleza e harmonia.
O templo era a morada e abrigo do Deus, local onde se colocava a sua imagem, à qual os fiéis não tinham acesso, pois os rituais eram realizados ao ar livre, ao seu redor .
Isso explica a maior preocupação com a decoração exterior do que com a interior.
A escultura está relacionada com a arquitetura, ocupando espaços, interiores ou exteriores, definidos pelas construções arquitetónicas.
O templo era a morada e abrigo do Deus, local onde se colocava a sua imagem.
A batalha entre os Lápitas e os centauros simboliza a luta entre a civilização e a força bruta.
No mito da Gigantomaquia é narrada a luta entre os deuses olímpicos e os gigantes.
Os deuses venceram estabelecendo a ordem e a harmonia que triunfam sobre o caos e a destruição.


Reconstituição da estátua original de Palas Atena da autoria de Fídias. Seria  feita em madeira, com 11 metros de altura e coberta de materiais preciosos.  A armadura e as vestes cobertas de ouro e a pele de marfim.
Esta estátua encontrava-se no interior do Pártenon. 


A evolução da arte grega divide-se em 3 períodos.
Arcaico – entre os séculos VII e V a.C., um longo período de procura e aprendizagem.
Clássico – entre os séculos V e IV a.C., período em que a arte atingiu a sua plenitude.
Helenístico  a partir do século IV, período em que a arte clássica grega entra em declínio.
A escultura arcaica é de nítida influência egípcia.
No entanto, a evolução na forma como representa o corpo humano é evidente e progressiva.
Este “kouros” em mármore com 1,85m de altura é a pedra tumular de um jovem que morreu novo ou em combate.
Apresenta uma série de caraterísticas que um século mais tarde serão a imagem de marca da escultura clássica.
A figura resulta de um minucioso trabalho de observação e tem pormenores (os cabelos, o colar, os joelhos, a musculatura) que mostram como os artistas gregos se inspiraram nas obras egípcias mas foram capazes de ir mais longe na representação do corpo humano.
Estas estátuas eram pintadas.
A época arcaica é um período de procura e aprendizagem.

O Doríforo de Policleto é um dos exemplos máximos da arte clássica grega.
Policleto concebeu e executou esta segundo regras precisas, estabelecendo um conjunto de regras para a representação ideal do corpo humano que registou numa obra (entretanto desaparecida) o “Kanon” de onde resulta a palavra “cânone*.
Regra, medida e serenidade.
Ao longo do período clássico a arte grega atingiu a sua plenitude.
*Cânone
1-Regra geral de onde se inferem regras especiais.2- Relação, tabela, padrão, norma. 3- lista de santos canonizados pela igreja católica.

A escultura do período helenístico  substitui o idealismo realista pelo naturalismo.
Os artistas passam a representar figuras ou cenas onde a serenidade clássica dá lugar a um realismo expressivo de caráter dramático e teatral.
Surgem os grupos escultóricos com composições extremamente dinâmicas sugerindo movimento e uma grande tensão formal.

domingo, 4 de novembro de 2012

O templo (a cultura da Ágora 5)



O artista grego cria uma arte em que predominam
o ritmo, o equilíbrio e a harmonia.
A arquitetura grega obedece a estes princípios básicos.
O templo é o símbolo máximo da arquitetura grega
onde são aplicados, com simplicidade e clareza, os princípios atrás enumerados. 


Em alçado era formado por uma base ou envasamento (plataforma que servia para nivelamento do terreno), por colunas (sistema de elevação e suporte do teto), pelo entablamento (elemento superior e de remate, constituído pela arquitrave, pelo friso e pela cornija, encimada pelo frontão triangular).

O teto de duas águas era coberto por telhas em barro.

A beleza carateriza-se por
harmonia, equilíbrio e graça que os artistas procuram representar respeitando os sentidos de simetria e proporção.

Ordens Arquitetónicas Gregas

O conceito de ordem está ligado a um sistema de proporções que harmonizava as partes do edifício em relação ao todo.
Era aplicado ao traçado da coluna e à relação entre a sua espessura e a sua altura totais.
Determinava ainda as proporções das partes que constituíam a coluna: base, fuste e capitel


O templo era a morada e abrigo do Deus, local onde se colocava a sua imagem, à qual os fiéis não tinham acesso, pois os rituais eram realizados ao ar livre, ao redor do templo (os fiéis apenas subiam ao templo para entregarem oferendas e realizarem sacrifícios).

Isso explica a maior preocupação com a decoração exterior do que com a interior. 

domingo, 28 de outubro de 2012

O Belo (A Cultura da Ágora-4)



 Vénus de Milo


O que carateriza algo que é belo?

O belo clássico define-se na arte grega com base num ideal de perfeição.

ideal
Que só existe na ideia; imaginário: formas ideais.
Em que há toda a perfeição que se pode conceber: mulher ideal.
Reunião abstracta de perfeições imaginárias ou que não podem ter realização completa.
(Lat. idealis)

“As principais formas de beleza são
a ordem, a simetria e a definição clara”
Aristóteles

Simetria s.f. Correspondência de posição, de forma, de medida em relação a um eixo entre os elementos de um conjunto ou entre dois ou mais conjuntos (…) Harmonia resultante de certas combinações e proporções regulares. (…)

A beleza carateriza-se por
harmonia, equilíbrio e graça que os artistas procuram representar respeitando os sentidos de simetria e proporção.

proporção

1. relação entre duas quantidades: a proporção entre as receitas e as despesas
2. equilíbrio entre elementos diversos: proporções harmoniosas

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Arte Grega - notas soltas (cultura da Ágora 3)



A arte grega clássica foi uma arte racional
e manifestou-se sob as mais variadas formas.
Da literatura à música,
da arquitetura à escultura,
da cerâmica à pintura,
legou-nos o teatro sob a forma de tragédia e de comédia.

Foi uma arte ao serviço da vida pública, expressão da comunidade e do homem/cidadão.

A grande inovação da arte grega é a introdução da observação do artista.
A arte deixa de ser um ato mecânico de reprodução de obras anteriores e passa
a ser encarada como ato criativo.

A criação artística resulta da observação.
O artista faz experiências e está sujeito a errar.
O erro permite aprender e melhorar o trabalho.
O artista exercita a sua criatividade.

A grande revolução da arte grega ocorreu na mesma época em que a ciência
(tal como hoje a entendemos) e a filosofia surgem pela primeira vez entre os homens
Nesta época também surgiu e se desenvolveu o teatro.
Foi no período em que a democracia ateniense atingiu o seu nível mais elevado
que a arte chegou ao apogeu.

O desenvolvimento do espírito humano e o exercício da inteligência necessitam
de um ambiente de liberdade de pensamento para poderem evoluir.

Sócrates exortava os artistas a representar a “atividade da alma”.
Para isso deviam observar o modo como “os sentimentos afetam o corpo em ação”.

O homem é a medida de todas as coisas.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Mitologia e Racionalismo (cultura da Ágora 2)






Mitologia grega - é o conjunto de narrativas relacionadas com os mitos dos gregos antigos .

Um mito é uma narrativa simbólica e alegórica da vida dos deuses ou dos grandes enigmas da Natureza, considerados como revelações mágicas e obra de forças sobrenaturais.
O mito procura explicar a realidade, os fenómenos naturais, as origens do Mundo e do homem por meio de narrativas protagonizadas por deuses, semideuses e heróis.

 
Os gregos adoravam vários deuses (politeísmo);
Os deuses gregos são descritos como semelhantes aos seres humanos na forma (antropomorfismo) e nos sentimentos, paixões, defeitos e vícios;
São sempre jovens e belos (mais perfeitos do que qualquer ser humano) e são imortais;
Viviam em família, a maioria no Monte Olimpo, cerca de 30 mil deuses que intervinham na vida dos seres humanos e influenciavam as suas ações.
 
Havia também semideuses, filhos de mãe humana e pai divino (ou vice-versa) dos quais o mais famoso é Hércules, filho de Zeus e Alcmena. E homens que praticavam ações sobre-humanas que assim se tornavam heróis e, como tal, se tornavam imortais.

 
No século VI a.C., em certas colónias gregas, devido ao bem-estar económico e à vivência do ócio (considerado indispensável ao crescimento de um espírito reflexivo e crítico) surgiram alguns pensadores que procuraram explicações coerentes e racionais para as coisas do mundo.
Assim surgiu a Filosofia (amor pela sabedoria).
 Platão e Aristóteles consideram a razão como supremo bem do Homem, valorizam-no como ser racional e humanista convivendo com o pensamento mítico.
 (ver também Sócrates)
 
O racionalismo grego refletiu-se na arte, na política, na educação dos jovens e na própria religião.


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A Cultura da Ágora (1)


Ágora era a praça principal na constituição da pólis, a cidade grega da Antiguidade clássica.

 
No século V a.C. Atenas representa o ponto mais alto de um tempo histórico e artístico da Grécia, a primeira civilização da Antiguidade Clássica  (Período da História que engloba a origem e o desenvolvimento das civilizações grega e romana. Vai desde o 1º milénio a.C. a 476 d.C. (aproximadamente 1500 anos), quando se dá a queda do Império Romano do Ocidente.) da qual somos herdeiros.

 
Após as Guerras Persas a Grécia viveu um tempo de paz.
Atenas (Principal cidade-estado da Grécia Clássica e capital da Grécia contemporânea) tornou-se o centro da Liga de Delos (Coligação militar organizada por Atenas que tinha como principal objetivo a defesa das cidades gregas contra os ataques persas) e caracterizou-se pelo seu peculiar modo de governação: a Democracia (é o nome dado a uma forma de governo adotada na antiga cidade de Atenas, considerada a matriz da democracia moderna.

Embora a democracia possa ser definida como "o governo do povo, pelo povo e para o povo", é importante lembrar que o significado de "governo" e "povo" na Atenas Antiga difere daquele das democracias contemporâneas. 

Enquanto a democracia contemporânea em geral considera o governo um corpo formado por representantes eleitos, e o "povo" (geralmente) como um conjunto de habitantes de uma nação, os atenienses consideravam o "governo" como sendo a assembleia (ekklesia) que tomava decisões diretamente (sem o intermédio de representantes) e o "povo" (geralmente) como os homens atenienses alfabetizados maiores de idade, os cidadãos.

As mulheres, os metecos (eram os estrangeiros residentes nas pólis gregas) e os escravos não faziam parte da ekklesia.).

 
"Em virtude do facto de o Estado ser administrado no interesse das massas e não duma minoria, o nosso regime [político] tomou o nome de Democracia.
(…) a todos, pelas leis, é garantida a igualdade (isonomia)
(…) cada um obtém a consideração [dos outros cidadãos] em virtude do seu mérito pessoal
(…) ninguém é prejudicado pela pobreza
(…) a liberdade é a nossa regra no governo da república
(…) sabemos conciliar o gosto do belo com a simplicidade, o gosto dos estudos com a energia
(…) somos os únicos a considerar o homem que não participa na vida pública como um inútil e não como um ocioso (...)"
Péricles, citado por Tucídides


Aula de 4 de outubro de 2012


A Democracia permitiu o desenvolvimento do pensamento e estimulou a criatividade.
Surgiram muitos artistas talentosos, filósofos e intelectuais.
Em Atenas os cidadãos têm a possibilidade de aprender, de pensar e de viver de um modo atuante e crítico num espaço de liberdade , confiança e prosperidade.

 





 

Cultura e Arte


Cultura
“(…) inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes
e todos os outros hábitos e capacidades
adquiridos pelo homem como membro da sociedade.”
ARTE
Arte (do latim ars, significando técnica e/ou habilidade) geralmente é entendida como a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética ou comunicativa.
 
Para que serve a Arte?
A Arte tem alguma utilidade?
 
Ao longo dos séculos e das diferentes culturas o conceito e a função da arte têm mudado, adquirindo componentes mágicos, estéticos, lúdicos, religiosos, morais, experimentais, pedagógicos, mercantis, psicológicos,
políticos e ornamentais, entre outros.